Alice Caymmi revitaliza música do avô Dorival ao inventar moda no canto e no arranjo de 'Modinha para Gabriela'
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Capa do single 'Modinha para Gabriela', de Alice Caymmi
Luqdias
♫ CRÍTICA DE SINGLE
Título: Modinha para Gabriela
Artista: Alice Caymmi
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ O que fazer com uma música já apresentada de forma tão perfeita como “Modinha para Gabriela”, lançada em 1975 na voz cristalina de Gal Costa (1945 – 2022) em gravação produzida para a abertura da novela “Gabriela”? Ali, naquela gravação antológica da música de Dorival Caymmi (1914 – 2008), Gal se tornou a mais perfeita tradução musical da personagem surgida no livro “Gabriela cravo e canela”, publicado em 1958 pelo escritor Jorge Amado (1912 – 2001).
Por isso mesmo, Alice Caymmi – neta de Dorival – acertou em inventar moda no canto e sobretudo no arranjo de “Modinha para Gabriela” em single lançado nesta sexta-feira, 13 de março, como amostra inicial de “Caymmi”, álbum em que Alice recria músicas do cancioneiro de Dorival Caymmi com a intenção de revitalizar a obra do avô com a sonoridade do século XXI.
Justiça seja feita: com capa que expõe a artista em foto de Luqdias, o single “Modinha para Gabriela” cumpre o prometido e deixa ótima primeira impressão do álbum previsto para abril. A melodia e a letra de “Modinha para Gabriela” estão lá, inteiramente preservadas na gravação feita com arranjo e produção musical de Iuri Rio Branco, mas a pulsação é outra. O mood é outro.
Aliado ao canto potente de Alice, o arranjo de Iuri Rio Branco (bateria, baixo, guitarra, percussão e programação) dá contorno épico à “Modinha para Gabriela” entre levadas de reggae, beats, percussões e intervenções certeiras do trombone e do trompete tocado por Doug Bone.
A música flui bem em gravação que roça os quatro minutos e fica cada vez mais envolvente na medida em que avança. E, de todo modo, ouvir uma Caymmi dar voz a versos como “Quem me batizou, quem me nomeou / Pouco me importou, é assim que eu sou” carrega simbolismo por mostrar Alice no exercício da liberdade artística, respeitando o legado da família, mas sem medo de tirar o véu sagrado que cobre o cancioneiro lapidar de Dorival Caymmi.