Entre o Flamengo e o hip hop... quem é N.I.N.A, rapper carioca que vai se apresentar no Lollapalooza

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Entre o Flamengo e o hip hop... quem é N.I.N.A, rapper que vai se apresentar no Lolla Laces, unhas grandes, joias, maquiagem marcante e... camisa do Flamengo. Essa é a rapper carioca N.I.N.A, ou “Nina do Porte, a Bruta, a Braba, a Forte, mãe delas”, com ela se define brincando em entrevista ao g1. N.I.N.A ganhou projeção com seu álbum de estreia, "P.E.L.E", lançado em 2022, um dos primeiros discos de drill do Brasil. O drill é um subgênero do hip-hop de batidas mais aceleradas que ainda cava seu espaço por aqui. Desde então, ela lançou seu segundo álbum de estúdio, "Para Todos os Garotos que já Mamei" (2023), inspirado por afrobeats e funk, com um manifesto sobre liberdade sexual. Em 2025, veio o EP "O Jogo Virou" (2025), muito influenciado pelo futebol e por seu amor pelo Flamengo. "Sério, o Flamengo salvou a minha sanidade mental. Nos anos de 2023, 2024, 2025.” Neste e em outros trabalhos, ela busca afirmar o espaço das mulheres dentro do futebol e das arquibancadas. “É muito para mostrar que mulher entende sobre futebol. Mulher sabe também, compõe arquibancada, também faz parte de organizada. E tipo assim, eu preciso muito que a as mulheres se sintam inseridas nesse meio.” Uma vez drill, sempre drill... Anna Ferreira nasceu na Cidade Alta, na zona norte do Rio. Chegou a cursar filosofia na Universidade Federal Fluminense, mas trancou o curso para seguir as batidas aceleradas do drill e do grime. Rapper N.I.N.A na sessão de fotos do seu EP 'O Jogo Virou' Divulgação / redes sociais Sua paixão pela música nasceu da paixão pelo futebol. Fanática pelo Flamengo, N.I.N.A explica que o esporte está diretamente conectado às suas raízes. “O futebol, sempre teve muito presente na minha família, entendeu? E Então isso é muito mais resgate de memória afetiva do que qualquer outra coisa para mim.” Foi também por meio desse interesse pelo esporte que a rapper conheceu o drill, vertente que nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, e ganhou força no Reino Unido. O gênero tem características que o diferenciam do boom bap — estilo mais tradicional do rap — e do trap, de batidas mais arrastadas. No drill, as batidas são mais aceleradas, geralmente entre 135 e 145 BPM. As letras são menos romantizadas e com menos ostentação do que os versos do trap. No drill, aparecem temas como violência urbana, criminalidade e o futebol. Ela conheceu o estilo por meio da música “Thiago Silva”, dos rappers Dave e AJ Tracey, que homenageia o zagueiro brasileiro. Antes cantar suas próprias histórias, N.I.N.A começou pesquisando cenas culturais e tocando em festas como DJ. Segundo ela, essa experiência foi fundamental para entender melhor o tempo das músicas e expandir seu repertório, que passa por outros estilos musicais. Durante a faculdade, Anna chegou a matar aula para viajar a São Paulo e assistir à banda Foster The People no Lollapalooza. A história dela com o festival ganhou um novo capítulo. Na edição de 2026 do festival, a artista está no line-up ao lado de uma de suas bandas favoritas. “Eu estou muito feliz porque primeiro eu estou dividindo o line up com uma das minhas bandas favoritas que é Interpol. Eu sou louca por Interpol.” Rap, favela e representatividade capa do EP 'O Jogo Virou' de N.I.N.A Redes Sociais / divulgação N.I.N.A se consolidou como uma das vozes femininas mais importantes do rap nacional. Suas músicas buscam denunciar a realidade de quem vive nas favelas: a convivência com o crime, a falta de acesso a oportunidades e a perda de pessoas próximas. Durante a entrevista, que aconteceu em um estúdio no centro de São Paulo, a rapper comentou sobre a diferença dos versos cantados por homens e mulheres no rap, no geral: “Hoje, a gente vive numa sociedade que vende lifestyle. Falamos sobre autoestima, autocuidado... Quem fala sobre isso é mulher. Homem fala sobre poder aquisitivo, Eles falam que eles querem comer um monte de puta, estão gastando dinheiro a noite toda no rolé e dirigindo o carro imenso." Ela também tem uma visão crítica sobre a popularização do rap após 2020. Para ela, o crescimento do gênero ampliou o público, mas trouxe uma certa diluição de pautas importantes. "Além de chegar no público jovem da periferia, também chegou naquela parte mais elitizada. E aí começa aquele movimento de higienização do rap. Querem ouvir uma garota de pele clara, quer uma garota que tenha traços finos..." Para a rapper carioca, levar seu show ao palco do Lollapalooza representa um ciclo que começou anos atrás, quando a jovem Anna viajou a São Paulo para assistir à banda dona do hit “Pumped Up Kicks”.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2026/03/18/entre-o-flamengo-e-o-hip-hop-quem-e-nina-rapper-carioca-que-vai-se-apresentar-no-lollapalooza.ghtml


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